
Porte-Avions Abraham Lincoln no Centro da Escalada de Tensão no Oriente Médio
A recente onda de ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra seus vizinhos no Golfo, que abrigam forças americanas, intensificou drasticamente a instabilidade na região. Em resposta, e em meio a ameaças de Donald Trump, o USS Abraham Lincoln, um porta-aviões crucial para a presença militar dos EUA, foi mobilizado, sinalizando uma escalada significativa no conflito.
Ataques e Retaliações: Um Cenário em Evolução
Relatos de detonações em Doha, Qatar, e Manama, Bahrein, confirmam a amplitude dos ataques iranianos. Gholamhossein Mohseni Ejeï, chefe do poder judiciário iraniano, declarou que os ataques continuarão contra alvos em países vizinhos que permitam a agressão, alegando possuir provas de colaboração de alguns estados da região com seus adversários.
A guerra, que já entra em sua segunda semana, impactou os mercados globais, com o aumento dos preços do petróleo devido à interrupção dos fluxos de hidrocarbonetos do Golfo. O presidente americano, Donald Trump, apelou ao povo iraniano para derrubar a República Islâmica, embora o objetivo declarado dos EUA seja destruir as capacidades balísticas do Irã e impedir o desenvolvimento de armas nucleares – alegação negada por Teerã.
A Intensificação dos Bombardeios e o Impacto Humanitário
Milhares de alvos foram atingidos na operação israelense-americana, com danos significativos a sites estratégicos e relatos da morte do líder supremo Ali Khamenei. Os ataques israelenses, realizados desde o início do conflito, visaram academias militares, centros de comando subterrâneos e depósitos de mísseis. Imagens mostram incêndios e fumaça saindo do aeroporto internacional Mehrabad, em Teerã, onde a força aérea israelense afirma ter atingido 16 aeronaves dos Guardiões da Revolução. A cidade de Ispahan também foi alvo de ataques.
Nas ruas de Teerã, moradores relatam a instalação de postos de controle para evitar saques e manter a ordem. Apesar da situação, os comércios permanecem abertos, embora com preços mais elevados. Os bombardeios continuam incessantes, com a força aérea israelense alegando ter atingido 400 alvos e o comando militar americano, mais de 3.000 desde o início da operação.
Vítimas e Reações Internacionais
As autoridades iranianas contabilizam cerca de mil mortos desde o início da guerra, incluindo 30% de crianças, embora esses números não possam ser verificados de forma independente. O presidente Massoud Pezeshkian, membro do triunvirato que assume a transição após a morte de Ali Khamenei, afirmou que o Irã não se renderá, rejeitando a exigência de Donald Trump por uma “capitulação incondicional”.
Países do Golfo relatam que seu território não foi utilizado para ataques contra o Irã, mas continuam em estado de alerta, com o aeroporto de Dubai suspendendo temporariamente suas operações devido a ataques de drones e mísseis. Ataques também atingiram o Kuwait e a Arábia Saudita, com a companhia petrolífera nacional do Kuwait reduzindo a produção de petróleo preventivamente.
Expansão do Conflito e Implicações Globais
O conflito se estende para além das fronteiras do Irã, com ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e a uma base aérea britânica em Chipre. A utilização de bases britânicas pelas forças armadas americanas para “operações defensivas” e a ameaça de extensão do conflito para o Cáucaso, com ataques ao Azerbaijão, aliado de Israel, aumentam a preocupação internacional.
No Líbano, a situação é crítica, com o Hezbollah atacando Israel em retaliação à morte de Khamenei, e o deslocamento em massa de civis devido aos bombardeios israelenses. A comunidade internacional alerta para um possível “desastre humanitário” na região.
A complexidade da situação é agravada por alegações de que a Rússia estaria fornecendo informações militares ao Irã, enquanto a China compra petróleo iraniano a preços reduzidos. A mobilização do porta-aviões Abraham Lincoln e a intensificação dos ataques demonstram a gravidade da crise e a necessidade urgente de uma solução diplomática para evitar uma escalada ainda maior.
Fonte: La Presse

