
Lafarge: Condenação por Financiamento ao Terrorismo Abala o Setor Cimenteiro
O tribunal criminal de Paris condenou, na segunda-feira, Bruno Lafont, ex-CEO da cimenteira francesa Lafarge, agora subsidiária do grupo suíço Holcim, a seis anos de prisão com ordem de prisão por financiamento ao terrorismo. A empresa foi condenada a uma multa de 1,125 milhões de euros.
Após uma investigação iniciada em 2017, a Lafarge e oito ex-executivos da empresa, incluindo o ex-diretor geral adjunto Christian Herrault, foram considerados culpados de ter pago cerca de cinco milhões de euros entre 2013 e 2014 a três grupos armados jihadistas, incluindo o Estado Islâmico (EI) e o Front al-Nosra (afiliado à Al-Qaeda), para manter a atividade da fábrica de cimento do grupo em Jalabiya, no norte da Síria.

Foto: Radio-Canada / Michael Cole
A fábrica de Jalabiya, construída entre 2007 e 2010 e adquirida pela Lafarge em 2008 por 680 milhões de dólares americanos, iniciou suas atividades em outubro de 2010, poucos meses antes do início da guerra civil síria em 2011. Estava localizada em uma zona de combate, a 50 km ao sul de Kobane e a 80 km ao norte de Raqqa, que se tornaria a capital do califado do EI.
Os funcionários eram alojados em Manbij, na margem oeste do Eufrates, e tinham que atravessar o rio para acessar a fábrica. Os milhões pagos pela Lafarge, através de sua subsidiária síria Lafarge Cement Syria (LCS), foram usados para garantir a passagem nos postos de controle e para comprar matérias-primas de pedreiras controladas pelo EI.
Em dezembro passado, durante suas recomendações, o Ministério Público Nacional Antiterrorista (PNAT) criticou um desvio, uma escolha puramente econômica, um cinismo chocante. Na segunda-feira, a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez, considerou manifesto que o financiamento do terrorismo empresarial tinha como único objetivo manter a fábrica síria para fins econômicos.
Parceria Comercial com o Estado Islâmico
Os pagamentos a entidades terroristas permitiram que a Lafarge mantivesse suas operações. Esses pagamentos se concretizaram na forma de uma verdadeira parceria comercial com o Estado Islâmico. Bruno Lafont e Christian Herrault pretendem recorrer da decisão do tribunal, informaram seus respectivos advogados.
A condenação da Lafarge por financiamento ao terrorismo através de sua subsidiária síria é inédita e estabelecerá jurisprudência, comemoraram em comunicado as ONGs Sherpa e ECCHR, partes civis no processo. Multinacionais não podem mais se esconder atrás de suas subsidiárias no exterior para escapar de sua responsabilidade. É uma grande vitória para a luta contra a impunidade das multinacionais envolvidas em graves violações dos direitos humanos.
No mesmo caso, a Lafarge já pagou 778 milhões de dólares americanos nos Estados Unidos após um acordo de confissão em 2022. Na França, a empresa também está sob investigação por cumplicidade em crimes contra a humanidade por suas atividades na Síria.
Fonte: Radio-Canada




