Escalada do Conflito: Guerra entre Afeganistão e Paquistão Ameaça a Estabilidade Regional

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Escalada do Conflito: Guerra entre Afeganistão e Paquistão Ameaça a Estabilidade Regional

Escalada do Conflito: Guerra entre Afeganistão e Paquistão Ameaça a Estabilidade Regional

A paz na região da Ásia Central está mais uma vez ameaçada com a retomada dos confrontos entre Afeganistão e Paquistão. Islamabad, através de seu ministro da defesa, declarou que sua paciência “acabou” e anunciou uma escalada para “guerra aberta” contra seu vizinho governado pelo Talibã. Esta nova onda de violência reacende um conflito intermitente que coloca a poderosa força militar paquistanesa, equipada com armas nucleares, contra os combatentes do Talibã afegão, endurecidos por décadas de experiência em batalha, incluindo a vitória sobre as forças dos EUA e da OTAN em 2021.

O Que Sabemos Sobre a Violência Recente

Na noite de quinta-feira, as forças militares do Talibã lançaram ataques contra posições paquistanesas ao longo de trechos da fronteira, que se estende por 1.600 milhas através de montanhas e desertos acidentados. Cabul justificou esses ataques como retaliação aos bombardeios paquistaneses em supostos acampamentos de militantes dentro do Afeganistão no fim de semana, que resultaram em pelo menos 18 mortes.

Em resposta, o Paquistão lançou na manhã de sexta-feira a operação “Ghazab Lil Haqq” – ou “Operação Fúria Justa”. Ataques aéreos paquistaneses atingiram Cabul, a província sudeste de Paktia e Kandahar, considerada o berço espiritual do Talibã e onde se acredita que o líder do grupo, Hibatullah Akhundzada, esteja baseado.

Impacto e Acusações

O Talibã alega que os ataques paquistaneses mataram 19 civis e feriram 26, a maioria mulheres e crianças. O Paquistão, por sua vez, afirma ter atingido instalações de defesa afegãs, marcando uma escalada significativa em sua estratégia de retaliação. Um porta-voz militar paquistanês afirmou que as forças armadas destruíram 73 postos do Talibã ao longo da fronteira e capturaram mais de uma dúzia de posições.

Relatos de diferentes números de vítimas surgiram de ambos os lados. O Paquistão alega ter matado 274 combatentes do Talibã e ferido 400, enquanto o Afeganistão relata 13 soldados mortos e 22 feridos. O porta-voz do governo Talibã, Zabiullah Mujaid, também afirma que o Afeganistão matou 55 soldados paquistaneses e capturou outros, destruindo 19 postos militares paquistaneses. A CNN não conseguiu verificar esses relatos de forma independente devido à dificuldade de acesso à região.

A Complexa Relação Entre Paquistão e Afeganistão

Apesar dos laços econômicos e culturais, a relação entre Paquistão e Afeganistão é historicamente complicada. Em outubro passado, os dois países travaram seu conflito mais mortal em anos, com um cessar-fogo frágil em vigor desde então.

Após a deposição do Talibã do poder pelas forças da OTAN em 2001, o Paquistão se tornou um dos principais apoiadores do grupo. Combatentes do Talibã encontraram refúgio no Paquistão e apoio para sua subsequente insurgência contra o governo afegão apoiado pelos EUA, que se tornou a guerra mais longa da história dos EUA.

No entanto, desde a vitória final do Talibã e seu retorno ao poder em Cabul, o Paquistão tem enfrentado um aumento da violência islamista. Islamabad culpa os militantes do Talibã Paquistanês (TTP) por grande parte dessa violência e acusa Cabul de lhes dar abrigo.

Kabul nega qualquer aliança com o Talibã Paquistanês, mas o líder do grupo, Mufti Noor Wali Mehsud, parece ter confirmado a ligação em uma declaração recente, instando os militantes do TTP a se vingarem da “invasão” do Afeganistão pelo Paquistão.

O Papel dos EUA e a Dinâmica de Poder

O Departamento de Estado dos EUA expressou apoio ao “direito do Paquistão de se defender” contra os ataques do Talibã, conforme declarado pela Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Políticos, Allison Hooker.

A disparidade entre as forças militares do Paquistão e do Afeganistão é notável. O Paquistão possui um exército de aproximadamente 660.000 soldados ativos, complementados por cerca de 300.000 paramilitares e policiais militares. Seu arsenal moderno inclui caças F-16 americanos, jatos Mirage franceses e o JF-17, produzido em conjunto com a China, seu principal parceiro de defesa.

Em contraste, o Afeganistão possui uma força unificada do Talibã, estimada em menos de 200.000 pessoas. O Talibã carece de uma força aérea funcional, dependendo de helicópteros de ataque e aeronaves de transporte soviéticas antigas abandonadas durante a retirada dos EUA, bem como de drones quadricópteros.

O Que Esperar?

Analistas temem que uma maior escalada possa agravar a instabilidade na região. Abdul Basit, pesquisador sênior da S. Rajaratnam School of International Studies, alerta para “tempos perigosos”, prevendo que qualquer retaliação do Afeganistão pode se concentrar em centros urbanos do Paquistão, criando um cenário de caos que grupos terroristas podem explorar.

A situação permanece volátil e o futuro da relação entre Afeganistão e Paquistão é incerto. A mediação de governos estrangeiros, como Arábia Saudita, Turquia e Catar, pode ser crucial para evitar uma escalada ainda maior do conflito.

Fonte: International Institute for Strategic Studies (IISS)


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